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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Eutentofilosofar
ESSAFICOUF...
SOU PESSIMISTA
MELHOR SERIA SER OTIMISTA
MAS SER MUITO OTIMISTA
PODERIA ME LIMITAR
ENQUANTO ARTISTA
ENTÃO ESSA MINHA REFLEXÃO
LEVA-ME À CONCLUSÃO
QUE SOU UM POUCO OTIMISTA
JÁ QUE VEJO NO PESSIMISMO
CERTO POSITIVISMO.
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Eutentosersão 2
CABEÇA
ESCUTA ESSA: ESTOU NO MEU ATELIÊ TERMINANDO UMA PINTURA E DEIXO CAIR DO PINCEL UM POUCO DE TINTA NO CHÃO. GERALMENTE ISSO ACONTECE SEM QUE EU ME PREOCUPE MUITO. NO ENTANTO, ALGO ME FAZ PARAR A PINTURA E ME VOLTAR PARA O BORRÃO DE TINTA NO CHÃO. PEGO UM PANO VELHO E AO ME ABAIXAR PARA LIMPAR, OBSERVO ALGO ESTRANHO NESTA MANCHA QUE SE FORMOU E NESTE EXATO MOMENTO SINTO O TEMPO PARAR...
DETENHO-ME NESTE BORRÃO DE TINTA E VEJO QUE HÁ DENTRO DELE UMA IMAGEM EM MOVIMENTO QUE SE APRESENTA COMO UM FILME ANTIGO ONDE SE DESENROLA UMA CENA ESTRANHA QUE ME REMETE A UM DESSES FILMES CULT COM AMBIENTAÇÃO NA EUROPA DOS ANOS VINTE.
CONCENTRO-ME NESTA IMAGEM E PARA MEU ESPANTO, A PERSONAGEM EM CENA SOU EU MESMO. NESTA CENA EU ESTOU SOZINHO NUM PÁTIO DE UMA CASA QUE MAS PARECE A PINTURA METAFÍSICA DE GIORGIO DE CHIRICO PELO NÚMERO DE COISAS ESTRANHAS QUE ESTÃO SIMBOLICAMENTE COLOCADAS NO ESPAÇO FÍSICO AO MEU REDOR.SÃO COISAS QUE FAZEM PARTE DA MINHA VIDA COMO UM VELHO BANCO , UMA CAIXA CHEIA DE PINCEIS E ALGUMAS IMAGENS TRIDIMENSIONAIS QUE ANTES ERAM BIDIMENSIONAIS POIS FAZIAM PARTE DE PINTURAS ANTIGAS MINHAS QUE PARECEM TER VIDA AGORA E SE ESPALHAM PELO ESPAÇO IMENSO DESTA CASA DESCONHECIDA E DESTE MOMENTO ATEMPORAL EM QUE ME ENCONTRO.
VEJO-ME NUMA ESCADA DE MADEIRA COLOCADA JUNTO A UM MURO BEM ALTO. NO MURO HÁ UMA FILEIRA DE PEDAÇOS DE CACOS DE VIDRO PONTIAGUDOS CIMENTADOS ALI COMO MEDIDA DE SEGURANÇA. NA PONTA DOS CACOS DE VIDRO ESTÁ APOIADA, DE PERFIL, A MINHA CABEÇA. EU ESTOU EM PÉ NOS DEGRAUS DA ESCADA E ME APÓIO NELA. DO OUTRO LADO DA MINHA CABEÇA, NA PARTE QUE ESTÁ VOLTADA PARA O CÉU AZUL, SINTO BATER COM TODA FORÇA UM ENORME MARTELO. ENTRE MINHA CABEÇA E O MARTELO, UM PREGO ENFERRUJADO DE PONTA AFIADA DE MAIS OU MENOS CINCO CENTÍMETROS QUE PENETRA LENTAMENTE NA MINHA CABEÇA A CADA MARTELADA. DO OUTRO LADO, OS CACOS DE VIDRO VÃO RASGANDO A MINHA CABEÇA, O MEU ROSTO, AMEAÇAM FURAR OS MEUS OLHOS, PENETRAM NO MEU OUVIDO, CORTAM A MINHA BOCA E DILACERAM A MINHA LÍNGUA. O SANGUE ESCORRE PELOS CACOS DE VIDRO, EMPOÇA ENTRE ELES E DEPOIS ESCORRE PELO MURO PINTADO DE BRANCO.EU VEJO , EM PERSPECTIVA, A CARREIRA DE CACOS DE VIDRO VERDES QUE SE MISTURAM_ PELO ÂNGULO QUE OS VEJO_ AO AZUL DO CÉU. EU SEMPRE GOSTEI DE MISTURAR E CONTRAPOR VERDES E AZUIS...
OUTRA MARTELADA! O SANGUE ESCORRE EM FILETES PELO MURO BRANCO E CONSTRÓI UM GRAFISMO LINEAR.
A PERPENDICULARIDADE FORMADA ENTRE A LINHA DOS VERDES AZULADOS DOS CACOS DE VIDRO E A LINHA VERMELHA DO SANGUE ESCORRIDO NO MURO BRANCO ME REMETE A ARTE ORGANIZADA, TRANSCENDENTAL E GEOMÉTRICA DE MONDRIAN. DAÍ EU ME PERGUNTO: COMO POSSO PENSAR NUMA VISUALIDADE APARENTEMENTE FRIA, GEOMÉTRICA, ORGANIZADA E CALCULADA, COMO É O CASO DO NEOPLÁSTICISMO DE MONDRIAN, DIANTE DE TODA ESSA SITUAÇÃO ? SEI LÁ... MAS O FATO É QUE, O QUE VEJO AGORA SÃO EXATAMENTE AS LINHAS E CORES DE PIET MONDRIAN.
É ENGRAÇADO OBSERVAR TODA ESTA IMAGEM SE APRESENTAR NUM CONTEXTO ASSIM TÃO SURREAL. GOSTO DO MOVIMENTO SURREALISTA, MAS GOSTO MAIS DA ATUALIDADE. É BEM VERDADE QUE ENTRE A REALIDADE COTIDIANA E UMA VIAGEM SURREAL, EU PREFIRA MUITO MAIS A VIAGEM SURREAL. TALVEZ SEJA ESTA A MELHOR EXPLICAÇÃO PARA ESTE MOMENTO VIVIDO NESTE BORRÃO DE TINTA.
EU PODERIA TER FEITO UMA ASSOCIAÇÃO COM A ARTE CONTEMPORÂNEA COMO, POR EXEMPLO, O HAPPENING OU A PERFORMANCE , MAS NÃO É O CASO . PARA CONSIDERAR ESSE ACONTECIMENTO UM HAPPENING, POR EXEMPLO, TERIA QUE HAVER UM PÚBLICO ASSISTINDO A TUDO ISSO . E A PERFORMANCE, TAMBÉM DESCARTO POR QUE SUA REALIZAÇÃO É CARACTERIZADA POR OCORRER MAIS EM AMBIENTES FECHADOS. A BODY ARTE É A MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA QUE MAIS SE ASEMELHA AOS ACONTECIMENTOS NO BORRÃO DE TINTA. MAS FRANCAMENTE NÃO GOSTO MUITO DESSA FORMA DE ARTE.
VOLTO, ENTÃO, A INSISTIR NUMA VISUALIDADE SURREAL. O MARTELO, POR EXEMPLO, BATE NA MINHA CABEÇA SEM QUE EU OU NINGUÉM O SEGURE. ELE ESTÁ SOLTO NO AR, AUTÔNOMO NO SEU ATO DE MARTELAR. REALISTA COMO O CACHIMBO DE RENÊ MAGRITE. O PREGO SE EQUILIBRA SOZINHO ENTRE MINHA CABEÇA E O MARTELO.
DE REPENTE ESTA MINHA ANÁLISE É INTERROMPIDA POR OUTRA MARTELADA... O RESULTADO É MAIS VERDE, MAIS VERMELHO NO BRANCO, MAIS AZUL... E ASSIM, AS MARTELADAS E A “PINTURA” NO MURO VÃO SE SUCEDENDO...
APÓS ALGUM TEMPO OBSERVANDO OS ACONTECIMENTOS DENTRO DESSE BORRÃO DE TINTA, VOLTO À REALIDADE DO MEU ATELIÊ E, APÓS LIMPAR COM O PANO O TAL BORRÃO, CHEGO À CONCLUSÃO QUE O QUE ESTAVA VENDO NÃO ERA NENHUM TIPO DE VIAGEM ALUCINÓGENA COMO AS DESCRITAS NO LIVRO “ A ERVA DO DIABO” DO ANTROPÓLOGO E ESCRITOR CARLOS CASTAÑEDA QUE LI AINDA JOVEM.
NA VERDADE, O QUE VI NAQUELE BORRÃO DE TINTA FOI UMA ESPÉCIE DE PENSAMENTO IMAGÉTICO QUE DEVO TER, POR ALGUM TEMPO, MERGULHADO SEM ME DAR CONTA, MAS QUE REFLETE, PERFEITAMENTE, BOA PARTE DOS MEUS QUESTIONAMENTOS, DÚVIDAS E CERTEZAS SOBRE ALGUNS CONCEITOS LIGADOS À HISTÓRIA DA ARTE. VOLTO A PINTAR MEU QUADRO E OUTRO BORRÃO DE TINTA CAI NO CHÃO. PASSO O PANO RAPIDAMENTE SOBRE ELE E PRONTO: O CHÃO ESTÁ LIMPO NOVAMENTE. VIAJEI, MAS VOLTEI.
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domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
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